Um novo conceito em publicações científicas

Paulo Freire: O oprimido, o opressor e o caminho para a liberdade.
On maio 8, 2019 | 0 Comments

Por Erik Vicente –

Falar de Paulo Freire sem trazer suas premissas no ímpeto seria como assistir a um filme interpretado por robôs, ou conversar com um boneco de cera, então tentarei reproduzir seu espírito mais do que repetir seus escritos.

Por isso já aviso, não serei imparcial, porque ninguém o é. A diferença é que podemos ter consciência desta realidade e construir um conhecimento próprio, ou podemos nos alienar e acreditar em determinismos que observam apenas a partir de um único campo de visão.

Isto posto, podemos encontrar na essência da obra freiriana a sua afirmação fundamental como sendo o “VIR A SER” o qual só acontece através de um espirito “LIVRE”, que foi liberto pela consciência do seu sufocamento, mas que ainda assim carrega em si próprio a potencialidade imanente de tonar-se, e que se expande nas relações com outros que também se tornando estão.

Apesar da aparente visão “utópica” do ser e do mundo que pode vir a ser, não precisamos olhar toda essa “teleologia” de forma pejorativa, já que não se nega a materialidade do contexto prático, antes afirmamos um realismo esperançoso como diria Suassuna.

Estando ocultado de sua própria realidade alienante, o oprimido entende-se, ou melhor, carece de uma dependência servil ao opressor, já que jamais poderia se enxergar de outra forma tendo em vista que este é o único mundo que conhece e não enxerga outras possibilidades de existir.

“Enquanto se encontra nítida sua ambiguidade, os oprimidos dificilmente lutam, nem sequer confiam em si mesmos. Têm uma crença difusa, mágica, na invulnerabilidade do opressor. No seu poder de que sempre dá testemunho. Nos campos, sobretudo, se observa a força mágica do poder do senhor” (Pedagogia do Oprimido – Paulo Freire)

Este é o ponto em que nem sequer o oprimido se vê como sujeito que deseja ascender a posição de opressor, muito menos vislumbra a possibilidade de quebrar o paradigma oprimido/opressor para ser mais.

Em contrapartida por parte do opressor existe uma espécie de coisificação do oprimido a ponto de não mais enxerga-lo como gente, mas apenas como utensilio, algo inanimado, uma coisa.

Assim quando os oprimidos se rebelam contra a violência dos opressores eles são sempre os “selvagens”, “subversivos”, “violentos”, “bárbaros”, “vândalos”, etc.

Somente a violência dos opressores é uma violência “legal”, “autorizada”, “justificada”, “restabelecedora da ordem”.

“Enquanto a violência dos opressores faz dos oprimidos homens proibidos de ser, a resposta destes à violência daqueles se encontra infundida do anseio de busca do direito de ser.” (Pedagogia do Oprimido – Paulo Freire)

Mas ainda que o opressor pareça estar em vantagem em meio a esse sistema perverso, o mesmo também perde, já que o próprio sistema é descaracterizador e desumanizador de oprimidos e opressores, anulando o SER-humano sem acepção. Por isso que a subversão por parte dos oprimidos se torna a esperança para salvação de ambos.

Termino essa provocação com as palavras esperançosas de liberdade contidas no livro Pedagogia do Oprimido:

“Os opressores, violentando e proibindo que os outros sejam, não podem igualmente ser; os oprimidos, lutando por ser, ao retirar-lhes o poder de oprimir e de esmagar, lhes restauram a humanidade que haviam perdido no uso da opressão.


Por isto é que, somente os oprimidos, libertando-se, podem libertar os opressores. Estes, enquanto classe que oprime, nem libertam, nem se libertam.

O importante, por isto mesmo, é que a luta dos oprimidos se faça para superar a contradição em que se acham. Que esta superação seja o surgimento do homem novo – não mais opressor, não mais oprimido, mas homem libertando-se. Precisamente porque, se sua luta é no sentido de fazer-se Homem, que estavam sendo proibidos de ser, não o conseguirão se apenas invertem os termos da contradição. Isto é, se apenas mudam de lugar, nos polos da contradição.

Esta afirmação pode parecer ingênua. Na verdade, não o é.”

ERIK

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