Um novo conceito em publicações científicas

Enfrentamento 01: Editoras cobram do autor pelo custo da obra
On fevereiro 4, 2020 | 0 Comments

(Jefferson Ramalho)

Há uma prática muito comum na atualidade, ao que me parece, legal; porém, em minha opinião, no mínimo questionável. Refiro-me às editoras que cobram de seus autores pela edição e pela produção de seus próprios livros. Escritores ou escritoras que querem seus textos publicados, vendo nesta possibilidade a chance de lançar aquele tão sonhado livro, acabam pagando por tudo, absolutamente tudo, para que sua obra se materialize… e não é pouca coisa!

… sou do tempo que o autor recebia royalties.

Antigamente, qualquer editora minimamente séria formaria o seu conselho editorial para escolher os livros que publicaria, e isso com base em critérios editoriais e comerciais. Hoje em dia, poucas permanecem com tal política de publicações. A maioria, no entanto – e em especial aquelas que necessitam de dinheiro diante da grave crise que o chamado mercado editorial tem sofrido – acaba por se submeter à nova dinâmica.

Sou adepto da velha prática e tenho muitas e boas razões para isso. Uma editora que se permite fazer uma seleção do que irá publicar, que investe na produção do livro do início ao fim e que entende que o trabalho do escritor consiste tão somente em escrever sua obra, proporciona a si a possibilidade de construir seu catálogo de forma ordenada, refinada e com identidade própria.

… vive de sua credibilidade no ramo e não do dinheiro que precisa entrar!

E por falar em ramo, reforço: Ramalho Edições Acadêmicas já começou assim, como temos insistido desde o dia de seu nascimento. Uma editora sem ambições no sentido perverso do termo, mas com muitos objetivos e valores éticos a preservar. Uma editora que não se submeterá às normatizações do endeusado mercado, tampouco pretende se beneficiar das supostas vantagens e ganhos que ele, esse tal de mercado, tem a oferecer.

Cada livro deve ter um/a leitor/a que o adquiriu para efetivamente lê-lo, e não apenas um dono que o comprou e o esqueceu na prateleira.

Para isso, contudo, há que se ter bons critérios desde a escolha do tema, do livro, do autor, da autora. E cada autor, cada autora, com sua obra editada por Ramalho Edições Acadêmicas, terá sido escolhido/a com rigor. Por isso a Ramalho publicará no máximo quatro livros por ano, o que também já foi divulgado; e, caso ela ainda não tenha conseguido se fazer entender, há que enfatizar que ela não é uma editora com fins meramente econômicos, o que reduziria demais o significado de sua existência.

… eu jamais precisei pagar pela produção de meus livros! Não será diferente na Ramalho!

Ramalho também não é um projeto, como nós estamos acostumados a nos referir a este ou àquele empreendimento, mesmo porque ela já é uma realidade, já existe, e está todos os dias se desdobrando, a passos lentos, curtos e com seus pés no chão. Já não é, portanto, mais um projeto; é a concretização do nosso sonho. É a experiência de uma paixão que se tornou real, e que acontecerá por muito tempo, ainda!

J.R.

Jefferson Ramalho

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